A atriz Maria Otávia Cordazzo (Ricardo Zanon/divulgação)
A atriz Maria Otávia Cordazzo (Ricardo Zanon/divulgação)

A atriz catarinense Maria Otávia Cordazzo, 26 anos, é a protagonista do curta-metragem “A Espera” de Ricardo Zanon.

Apesar da surdez, Maria Otávia desenvolveu a fala, o que é incomum para os portadores desta condição. A atriz é uma prova que as deficiências sensoriais não são obstáculos para se obter sucesso.

Maria Otávia nasceu prematura e por conta da forte medicação perdeu a audição. “Quando retiro o aparelho não escuto absolutamente nada, pois tive perca severa profunda da audição”, explica a jovem atriz. Hoje, conta com auxílio dos aparelhos para surdez para escutar. Também frequenta aulas com fonoaudiólogas para corrigir alguns vícios que ainda restam na fala. “Essa vontade de ser atriz foi algo que sempre me perseguiu. Mas, eu acreditava que isto era algo muito distante, por conta de minha surdez”, afirma a atriz. “Porém, pesquisei muito e notei que seria possível correr atrás dos meus sonhos, que a deficiência auditiva não deveria ser um empecilho na minha vida. Tenho muito que aprender, mas sei que estou no caminho certo”, completa.

A atriz divide residência entre Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro, onde realiza vários cursos profissionalizantes para se aprimorar cada vez mais na profissão. “A inclusão dos surdos é algo muito distante, pois, infelizmente, muitos não possuem condições de manter um tratamento adequado. Apesar de minhas limitações, nunca pensei em desistir da carreira. Consegui tirar meu registro profissional (DRT) e vou seguir em frente”, comemora.

Com sua obstinação e persistência, Maria Otávia concluiu o curso de Interpretação de TV e Cinema na JP Talentos. Em 2014, concluiu dois cursos de Interpretação de TV com o renomado diretor Wolf Maia, e o Take a Take, ambos em São Paulo. Para o aperfeiçoamento na arte da interpretação, frequentou workshops com renomados diretores como: Tereza Lampreia, Sergio Penna e Pedro Vasconcelos. Em 2015 iniciou estudos na Casa das Artes Laranjeiras (CAL), no Rio de Janeiro.

Dentre as peças de teatros realizadas estão “As Descobertas” de Jean Pierre Kuhl e Cleber Lach; “Eu ainda estou aqui”, de Johnny Fox; o “Natal de Sofia” e “A paixão de Cristo”, de Bub Razz. A atriz também é dançarina e fez parte do Balé da Academia Dançar e Cia e Jazz no Estúdio Adriana Alcântara, em Itajaí (SC). Recentemente, participou do longa-metragem “O livro de contos – A magia nunca acaba”, do diretor e roteirista Bub Razz e  protagonizou o curta-metragem “A Espera”, de Ricardo Zanon, com estreia prevista ainda para este ano.

 

Superando limites na arte

Nos Estados Unidos, a atriz Marlee Matlin perdeu a audição aos 18 meses de vida e coleciona prêmios durante sua vitoriosa carreira, incluindo o Oscar de Melhor Atriz e o Globo de Ouro por sua atuação no longa “Os Filhos do Silêncio”. Trabalhou também em séries de televisão como, Reasonable Doubts (1991 – 1993) e pelo qual foi indicada ao Emmy Award. Já na França, a atriz Emmanuelle Laborit, também surda, venceu o prêmio Molière da revelação teatral, em 1993, pelo seu papel em “Filhos de um Deus Menor”.

Uma outra curiosidade que poucos sabem é o fato da estonteante Marilyn Monroe ser gaga, mas não manifestava o problema enquanto atuava.

 

A surdez no Brasil

Segundo censo realizado em 2010 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística-IBGE, cerca de 9,7 milhões de brasileiros possuem deficiência auditiva (DA), o que representa 5,1% da população brasileira. Deste total cerca de 2 milhões possuem a deficiência auditiva severa (1,7 milhões têm grande dificuldade para ouvir e 344,2 mil são surdos), e 7,5 milhões apresentam alguma dificuldade auditiva.

Nas crianças até dois anos, a surdez pode ser causada por meningite bacteriana ou virótica (a maior causa de surdez no Brasil, segundo o Instituto Nacional de Educação para Surdos – INES); trauma na cabeça associada à perda de consciência ou fratura craniana; medicação ototóxica; e infecção de ouvido persistente ou com duração por mais de três meses além da surdez congênita.

As deficiências auditivas que poderiam ser reversíveis se constadas até 6 meses de idade, apesar da obrigatoriedade do teste da orelhinha, de acordo com a Sociedade Brasileira de Otologia – SBO, são constadas a partir de 4 anos, idade considerada tardia pelos médicos.

 

Sobre o curta

A história é ambientada nos anos 40 e foi gravado nas cidades de Camboriú e Balneário Piçarras, em Santa Catarina. O enredo conta o cotidiano de uma jovem senhora que aguarda incansavelmente a vinda do esposo, que está fora da cidade há anos. “O curta possui uma temática que pende para o romance e ao mesmo tempo remete ao suspense”, revela o roteirista e diretor Ricardo Zanon. Com baixo orçamento, a produção é uma prova de que “uma ideia na cabeça e uma câmera na mão” pode render grandes produções. “O curta foi basicamente realizado através de parcerias com pessoas que são ligadas a arte. Não existiu um grande investimento para a finalização”, revela Zanon.

O curta conta ainda com as participações dos atores Lipe Castro, Renata Rocha (Salve Jorge e Dupla Identidade/Rede Globo) e Ieda Maria. A música tema “Travesseiro de Estrelas” é interpretada pela cantora Bárbara Damásio.

 

Assista o curta-metragem “A Espera”:

 

 

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