Divulgação

A extinção das Agências de Desenvolvimento Regional (ADRs) é um dos pontos-chave quando se discute o necessário enxugamento da máquina pública em Santa Catarina. E promete ser uma das questões centrais do debate nas eleições para governador daqui um ano. Mesmo com a redução de cargos comissionados e fechando a unidade de Florianópolis, as 35 regionais (como são chamadas as ADRs) consumiram R$444.317.001 somente em 2016. Dinheiro gasto com energia, aluguel e pessoal que poderia ser investido em áreas mais urgentes.

Com essa mesma verba, por exemplo, o Estado poderia manter 154 mil novos alunos no ensino fundamental por um ano. Ou pagar o salário de 7.700 policiais. Outra alternativa seria investir na saúde, o que permitiria contratar e pagar o salário de 3.214 médicos durante um ano inteiro.

Grande parte da população e da própria classe política já concordam que as ADRs são um modelo ultrapassado, que hoje cria um elemento a mais no emaranhado de burocracias que intermediam as ações do governo com as regiões. Há inclusive dois projetos que tratam da extinção das regionais apresentados na Assembleia Legislativa, mas que seriam inconstitucionais porque essa proposta precisa partir do próprio Executivo. Então qual a alternativa?

O presidente do PSD, Gelson Merisio, é um dos principais defensores da extinção das Regionais. Ele defende que se deve pensar em um novo modelo que valorize a atuação das associações de municípios em parceria com o Estado, enxugando a estrutura administrativa – e assim transformar esse custo em investimento em áreas essenciais.

“Não é questão de um Estado menor. Queremos uma Santa Catarina muito maior na entrega do serviço público, no número de policiais nas ruas, em mais enfermeiros na Saúde, mas extremamente menor nos seus vários processos burocráticos. Um Estado enxuto”, completa Merisio.

Um servidor na agência ou um policial na rua?

Para poder enxergar como esse dinheiro poderia ser utilizado de outra forma, é só comparar os custos. Com os 444 milhões de reais gastos pelas 35 regionais no estado é possível pagar o salário de 7.772 novos policiais militares ou 3.214 médicos por um ano. Pensando em infraestrutura, o dinheiro que sustenta as ADRs poderia construir 8.490 casas populares.

“Até aqui foi possível conciliar, mas para frente precisaremos optar. Eu escolho contratar mais um PM. É o momento de uma decisão de postura do Estado”, opina Merisio, que é pré-candidato do PSD a governador.

Origem das ADRs

As Agências de Desenvolvimento Regional foram criadas no governo de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) há 14 anos (na época como secretarias regionais, SDRs). Com o objetivo de interiorizar as ações do governo catarinense, no entanto, ficaram defasadas pelas ferramentas e tecnologias atuais que possibilitam o trabalho feito de forma mais direta, realizado sem burocracia pelos próprios municípios.

Comentários

comentários