A vítima Isadora Viana (Arquivo Pessoal/Facebook/Reprodução)

O oficial de cartório de registro de imóveis de Imbituba Paulo Odilon Xisto Filho, de 36 anos, vai a júri popular. Ele é acusado de matar a namorada Isadora Viana Costa, de 22 anos, no dia 8 de maio do ano passado. A denúncia do Ministério Público de Santa Catarina para que Paulo Odilon fosse levado a julgamento popular por homicídio qualificado por feminicídio e fraude processual foi aceita pela Justiça na sexta-feira, 1.fev.2019. O réu poderá recorrer em liberdade.

A ação penal, ajuizada pela Promotora de Justiça Sandra Goulart Giesta da Silva, demonstrou ao Judiciário que Paulo Odilon cometeu feminicídio contra a namorada e ainda, que o crime foi qualificado por motivo fútil e por usar recurso que impossibilitou a defesa da vítima, além de cometer fraude processual, ao modificar a cena do crime a fim de induzir o perito a erro. Segundo a denúncia, o reú solicitou atendimento ao Corpo de Bombeiros, informando que a vítima estaria tendo uma convulsão. Ao invés de acompanhar a namorada até o hospital,  uma vez que ela não tinha nenhum familiar ou amigo na cidade, ele permaneceu na residência, a fim de ocultar provas, dificultando o trabalho de investigação.

Paulo Odilon conheceu Isadora na cidade de Santa Maria, no Rio Grande do Sul, no mês de março de 2018. Os dois logo começaram a namorar e no dia 22 de abril a jovem aceitou o convite para passar uns dias no apartamento do namorado, em Imbituba. Desde que começou a conviver com o namorado, Isadora constatou, segundo a apuração, que Paulo Odilon era usuário contumaz de cocaína, drogas sintéticas, bebidas alcoólicas e remédios controlados. A vítima também percebeu, e confidenciou a amigas, que nos momentos em que ele estava sob efeito de drogas se tornava agressivo e descontrolado.

Durante a noite de 7 até a madrugada do dia 8 de maio, de acordo com a denúncia, o casal ingeriu bebida alcoólica. O denunciado também usou cocaína. Por volta de 05h45min, Isadora acreditou que o namorado estivesse passando mal. Paulo Odilon espumava pela boca. Desesperada, Isadora decidiu chamar a irmã do namorado para socorrê-lo. Ocorre que o oficial de cartório escondia da família que era viciado em drogas.

Atendendo ao chamado de Isadora, a irmã de Paulo Odilon, acompanhada do noivo, foi até o apartamento do irmão por volta das 6 horas da manhã. O denunciado, trancado no quarto, não atendeu aos chamados da irmã. A porta foi arrombada. Após constatar que Paulo Odilon estava bem, a irmã e o noivo foram embora. Assim que saíram, o oficial de cartório teria tido uma explosão de fúria. Como tentava esconder da família o vício, Paulo Odilon ficou furioso com a namorada pelo simples motivo dela ter chamado a irmã para socorrê-lo.

“O médico legista concluiu que as lesões traumáticas encontradas no abdômen da vítima, como laceração de vasos abdominais e laceração hepática, foram decorrentes de ação mecânica de alto impacto contra o abdômen e provavelmente repetitiva, compatíveis com múltiplos chutes, joelhadas e socos”, sustenta a Promotora de Justiça.

A partir de agora, o MPSC e a defesa têm cinco dias para apresentarem o rol de testemunhas que irão depor em plenário. A sentença de pronúncia foi proferida pelo Juiz Welton Rubenich.

Em 2018 foram registrados em SC mais de 105 mil casos de violência doméstica, 21.077 de violência contra a mulher, 3.739 estupros consumados e 84 mortes violentas.

Posted by Click Catarina on Monday, February 4, 2019

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